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SETEMBRO AMARELO – Todos Na Prevenção Ao Suicídio

SETEMBRO AMARELO – Todos na prevenção ao suicídio

A Mater Dei entrevistou a Psicóloga e Psicanalista Marcela Cavallari sobre o mês nacional de prevenção ao suicídio. Confira:

O que é o Setembro Amarelo? Quando foi criado?

O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. No Brasil, os números de suicídio aumentaram consideravelmente, estima-se que ocorre 1 morte a cada 40 segundos. O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio em nível nacional, ela foi criada em 2015 e o mês de setembro foi escolhido estrategicamente pois dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A cor da campanha, o amarelo, vem para deixar seu recado:iluminar a questão, estampar em diferentes cenários e garantir visibilidade. Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma geral se envolveram neste movimento que vai de norte a sul do Brasil. 

Por que falar sobre suicídio ainda é um tabu? 

Em primeiro lugar porque o suicídio traz à tona uma ideia “antinatural” para a maioria das pessoas, uma vez que o ser humano deveria buscar sua preservação e não sua destruição. No entanto, esse tabu está bastante associado a negação dos problemas relacionados à saúde mental, afinal vivemos em uma sociedade onde a tristeza não encontra espaço. O suicídio promove uma reviravolta nessa história, pois ele expõe toda a fragilidade por detrás dos sofrimentos comuns compartilhados. Além disso, a sociedade carrega uma série de estigmas em relação ao suicídio que mantêm a problemática na esfera do tabu e do preconceito, por exemplo afirmações que se referem à atitude das vítimas, como: “Fraqueza, covardia, só queria chamar a atenção”. 

Existe um perfil mais propenso a cometer suicídio? 

É difícil traçar um perfil, pois são vários fatores combinados que podem levar uma pessoa a cometer suicídio, fatores que vão desde sua história de vida, relações interpessoais, transtornos mentais , situações estressoras, além de fatores culturais e sociais.  Alguns transtornos mentais , como depressão (todas as formas); transtorno de personalidade (anti-social e borderline com traços de impulsividade, agressividade e freqüentes alterações do humor); alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes);  esquizofrenia e transtorno mental orgânico podem representar uma maior pré-condição para o suicídio, mas nem todas as pessoas que sofrem desses transtornos têm ideação suicida.  Algumas pesquisas revelam que os homens tendem a cometer mais suicídio, ao passo que as mulheres realizam mais tentativas. Outro dado relevante é que alguns grupos mais suscetíveis ao preconceito e à discriminação, como homossexuais e transexuais estão mais sujeitos a cometerem suicídio. É preciso lembrar que o modo como cada um lida com as suas emoções é de ordem subjetiva, não sendo possível categorizar o sofrimento. 

Quais são os fatores que podem levar alguém a cometer suicídio? 

Ainda que após a ocorrência de um suicídio seja feita uma “autópsia psicológica”, tentando reunir provas e evidências dos motivos que levaram ao ato,é muito difícil chegar em um único fator. Alguns suicídios, por exemplo, são cometidos na base da impulsividade em resposta à situações extremas, não necessariamente estando relacionado a algum fator específico.De modo geral, além das condições físicas, funcionais, patológicas e medicamentosas que podem estar envolvidas, há uma gama de sentimentos que vão desde culpa, remorso, ansiedade, medo, fracasso, humilhação, entre tantos, que revelam a complexidade da dor emocional/psicológica. Além disso, a combinação de ideias conflituosas e a falta de apoio levam a vítima a uma ambivalência entre o desejo de viver e o desejo de acabar com o sofrimento (e não necessariamente morrer) que sem os cuidados necessários podem levar a consumação do suicídio. 

Quais são os sintomas de alguém que pensa em cometer suicídio?

Na maioria dos casos as vítimas apresentam alguns sintomas e chegam a pedir ajuda, as pesquisas revelam que 90% dos suicídios podem ser prevenidos. Pode ser que o comportamento suicida se revele através de insinuações de cansaço da vida, perda de perspectiva, desinteresse por atividade gerais, desinteresse em se cuidar, humor apático, isolamento, crises de choro,  mudança no hábito alimentar e de sono, tentativa de suicídio anterior, e ainda através de mensagens diretas sobre a ideação suicida, através de comentários, bilhetes, cartas de despedida. É importante levar a sério todos esses sintomas e se mobilizar para oferecer ajuda. 

Como podemos previnir o suicídio enquanto sociedade? 

Em primeiro lugar entendendo que a saúde mental é fundamental para o funcionamento de todos nós e que os cuidados em relação a ela devem ser desmistificados e propagados em todas as classes sociais. Promover campanhas de prevenção e conscientização sobre o suicídio, como o Setembro Amarelo, deve ser uma ação continuada, ampliando os espaços de discussão em todos os níveis e em todos os espaços: família, escola, noticiários, redes sociais, centros de referências e toda rede sócio-assistencial dos municípios. É preciso um movimento coletivo para criarmos mais espaços de fala, escuta e acolhida para as verbalizações de sofrimento. 

Quando e como procurar ajuda? 

Se você suspeita que alguém de seu convívio esteja suscetível a cometer suicídio, ofereça ajuda sem medo. Em primeiro lugar se coloque disponível, escute atentamente e sem julgamento o que a pessoa tem a dizer, expresse respeito e compreensão, algumas pessoas apresentam resistência a procurar ajuda profissional no início e você pode ser uma peça fundamental nessa história. Se você sente que não tem estado bem emocionalmente, que as ideias parecem confusas, que uma tristeza forte o acompanha por um tempo considerável e que a vida parece insuportável, não hesite em pedir ajuda, há uma rede de pessoas e profissionais capacitados para atravessar esse momento com você. Procure pelos Centros de Assistência Psicossocial (CAPS), UBS,UPA, de sua cidade ou ainda por universidades e clínicas que oferecem ajuda psicológica gratuita. O Centro de Valorização da Vida (CVV), realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária todas as pessoas que querem conversar por telefone, email e chat 24 horas todos os dias, ligue 188.

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